CATÁLOGO  

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"Ecalmadas, indolentes, desafiadoras ou alheias estendem-se na superfície branca.
Elas saíram todas daquela gaveta como se fôra, cada uma, o retalho de um lençol desmedido.
O rasto, deixado pelo carvão nas curvas opulentas, trai a passividade do  modelo na dinâmica de oblíqua.
Agora, perante todos os olhos, deixamos de olhá-las para atentarmos no desenho.
E percebemos como a mão, hábil, ralha com o suporte, domestica o carvão,acaricia a
folha em nova investida, marcando o espaço.
Despojado no tema e nos meios, cada desenho narra o tempo, exacto, desse conforto de antagonismos que é o lugar do desejo.
Uma mulher, um homem, um carvão, uma folha encontram-se, todos nus, numa cumplicidade absoluta.
Ou encontram-se, só, em cada Estação. Para cumprir um rito ancestral, ANTÓNIO BRONZE e Verónica trocaram de papeis, guardando sudários.
Encontraram-se sós."

MANUELA BRONZE
Março 2000

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